quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Nasce uma pessoa consciente


NASCE UMA PESSOA MAIS CONSCIENTE
Sempre achei legal e importante cuidar do meio ambiente. Mas confesso que nunca fiz muito para colaborar. Até a Katarina nascer.
Quando morava no Brasil quase nunca comprava produtos orgânicos. Primeiro porque eram difíceis de achar, segundo que eram caríssimos. Lembro de ir a uma lojinha na Alameda Santos para comprar grãos e outros produtos orgânicos, mas nunca conseguia sair de lá pelo menos R$ 50 mais pobre e com menos produtos na sacola do que ir ao mercado comum.
Então quando me mudei para a Dinamarca fiquei feliz em ver a quantidade de mercados que SÓ vendem produtos ecologicamente corretos. E os preços não são mais altos que dos produtos comuns. Muitas vezes são até mais baratos, porque têm variedade maior de marcas. Aqui se valoriza muito o ecologicamente correto. Quase até o ponto de se tornar irritante, como esse boom de ateus nas redes sociais (nada contra, mas estão enchendo mais com fotos, textos e gags do que os crentes.(nada contra também)).


Minha concentração e foco não existem, eu sei. É que gosto de ficar falando falando falando...e uma coisa puxa a outra sabe, daí vai loooonge. 


Parei.


Continuando...
Quando vim morar com meu marido, todo o armário de limpeza era ecologicamente correto. O sabão sem cheiro que não fazia espuma me irritou. Eu tinha minhas manias. Era OMO para roupas coloridas,  Ariel para roupas brancas e amaciante cheirosinho. 
Eu achava legal ser corretinho, mas queria alguma coisa que lembrasse minha casa. Casa da minha mãe, na verdade. Onde é que eu ia encontrar Qboa?
Ela não usa mais Qboa desde1980, mas ainda fala!
Foi pura mania mesmo. Mania de querer as coisas do jeito que a minha mãe fazia. 
E veio minha filha. Tudo que penso é relacionado ao futuro dela. 
Māe
Pai
Comida
Casa
Planeta
Exagerei ali na marcação, ando assistindo muito DIscovery Channel. Mas tá quase ali, não tá?
Estou muito longe de ser uma ativista em prol do meio ambiente, mas estou ficando mais consciente. Tenho muuuuuuuito que fazer ainda, mas comecei devagar. Aqui é bem mais fácil ser ecologicamente correta. Muitos produtos, fáceis de encontrar e baratos. O incentivo é grande.
"The country N°1 in their list is Denmark which has spent plenty of money in renewables, is covered by a cap and trade system, has one of the most stringent emission targets, taxes cars 100% or more, and has globally one of the most constraining environmental regulatory framework."
O prédio já tem as caçambas separadas para plástico, vidro e pilhas. Comprei agora sabāo e amaciante mais ecológicos, acabei ontem com o último sabāo comum. E para garantir o cheirinho de roupa limpa que eu adoro, coloquei umas gotinhas de óleo essencial de lavanda no amaciante. Pronto!
Ainda nāo estou no nível elevado do uso das fraldas de pano, até porque a lavanderia é coletiva aqui no prédio, tem que marcar horário. Enquanto a Katarina ainda fizer muito cocô vazante fica complicado. E não tenho tanque no apartamento. E tô com preguiça! Me perdoem! Mas o meu absorvente descartável já é orgânico. Tenho até o coletor menstrual, Diva Cup, mas ainda não me adaptei ao uso dele. Desodorante orgânico com embalagem de vidro, e todos os produtos ecológicos da Katarina. Aboli o cheirinho de chuquinha da Johnson. Além de estar na lista de produtos cancerígenos, me encheu de bolinha! Comprei também um creme de rosto, feito de flor de sabugueiro e óleo de coco (não tem circunflexo, porque é uma paroxítona terminada em “o”! Esse blog também é cultura!). Um dos melhores hidratantes que já usei.

chupeta feita a partir de vegetais



Vou fazendo essas mudanças aos poucos, mas sem parar. É como diz a tartaruga.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MAIS SOBRE MATERNIDADE NA DINAMARCA


MAIS SOBRE MATERNIDADE NA DINAMARCA
Ontem falando com uma amiga, que é médica neonatal, não pude deixar de pensar mais um pouco sobre as diferenças no tratamento da mãe e do bebê no hospital no Brasil e na Dinamarca.
Logo depois que a Katarina fez os exames AO LADO DA MINHA CAMA, me entregaram toda sujinha ainda, só haviam passado uma toalhinha nela. Lá na hora nem pensei direito. Fui com ela para o quarto de recuperação e lá ficamos por 3 dias. No segundo dia de manhã perguntei para a enfermeira se poderia dar um banho nela.
-Claro! Lá na sala onde você troca a fralda mesmo.
Sim, nós mães e/ou pais/acompanhantes é que trocamos as fraldas, colocamos a roupinha, levamos o neném para o exame do pezinho. A enfermeira vem checar o tempo todo, mas nós fazemos tudo. Se estamos em condições, claro. Na sala de trocar fraldas havia 6 estações de troca, com fralda, creme, álcool, papéis e roupinhas do hospital. A água era da pia mesmo (aquecida). O corredor era um desfile de mães-patas (fralda!) e pais babōes com seus bebezicos.
Acabou que nāo me senti segura para dar banho na menina, só lavei os cabelinhos. Voltou sujinha para casa, onde tomou seu primeito banho, dado pela minha linda māe.
Aqui ela nem gostou muito, mas hoje em dia ela aaaama a hora do banho


Lá no hospital achei meio esquisito isso de nem dar banho. Mas agora agradeço que foi assim. É um momento especial esse, que nāo deveria ser “roubado” da māe. Salvo pela avó! Amei que o primeiro banho da minha filha foi dado pela minha māe. E ainda teve transmissāo ao vivo e a cores para minha irmā via Skype!

DICA DE LIVRO


DICA  DE LIVRO
Livros sobre gravidez e criação de filhos é o que não falta. Muitos são taxativos, dizendo o que se deve ou não fazer. Outros são mais relaxados, dizendo que varia de acordo com o indivíduo (dããããr). Um diz que se deve acordar os bebês para mamar, outros que jamais se deve acordar um bebê. Uma dúvida minha aqui, nos livros sempre está escrito: “nunca se deve acordar um bebê que está dormindo.” Alguém sabe me explicar como se acorda um bebê acordado?
Tem também a famosa encantadora de bebês, a Tracy, que aplica seus métodos para criar uma rotina para os bebês, desde recém nascidos.
Eu li, li e li. Fiz um blend (to precisando muito de um café agora!) e decidi que não gosto quando me dizem o que fazer. Me irrita um pouco que muitos desses livros estimulam os pais a seguirem uma agenda amarrada. O que faziam os pais na época em que nem Fisher Price nem Lamaze existiam? Onde arrumavam os multicoloridos tapetes de atividades, as estrelas com luzes e musiquinhas?
Não sou nenhuma ermitã, eu mesma comprei um tapete desses multicoloridos com estrela brilhante e cantora, mas sempre deixo um tempo (a maior parte dele) para minha filha só ficar deitada de barriga para cima, olhando minha cara e fazendo barulho de moto com a boca. Ela adora!
Não que eu seja uma desleixada, a Katarina mama, toma banho, bate no seu cachorro brinca e dorme todos os dias, mas no ritmo dela. Que, sei lá como, é meio organizado (suspeito que ela seja mais inteligente que a média. ahahahahaha).
Mas tem um livro que eu estou adorando. Ele fala sobre as fases de desenvolvimento dividas por semanas, descrevendo o que acontece em cada período e quais os “sintomas” dessas mudanças.  Além dos depoimentos  de várias mães e espaço para escrever e colocar fotos. Mas o que eu gosto mesmo é que ele não me manda fazer nada, só me explica o que normalmente acontece em casa fase.  Fico mais tranquila quando entendo que ela está passando por alguma mudança, aprendendo algo novo e, por isso está chorando mais, ou dormindo menos, ou comendo mais. 
O nome do livro é The Wonder Weeks. Apesar do subtítulo falar algo sobre como estimular e ajudar, não traz nenhuma receita/rotina louca. É bem legal mesmo, e para quem tem iphone ou ipad, dá para baixar um aplicativo super legal.

Nunca imaginei que tabelas e listas fossem me irritar tanto. Sempre a-do-rei uma coisa mega organizada e previsível. Mas a Katarina está me ensinando a ser mais relaxada e intuitiva. Também adoro um produto orgânico, coisas ecológicas. Mas isso fica para outro post.
video
Katarina e seu cachorro multicolorido da Lamaze. Presente da vó!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

NEURA/ CUIDADO DE MÃE


FAZ ISSO NÃO, GENTE
Ainda não sei se estou sendo insuportavelmente chata ou coerente. 
Sabe quando seu bebê é tão lindo e gracioso que ninguém consegue manter as mãos longe dele?
Então, é o caso da minha filha. A menina é linda demais, meu deus! Daí sempre tem um bocó que tira foto COM flash a 5 cm de distância dos olhinhos azuis (uiuiui) da criança! E a boquinha vermelhinha banguela? Convite para uma māo suja fazer bilu bilu ou, pasmem, colocar o dedo DENTRO da boca dela! Nāo sei por onde passou esse dedinho maldito. E olha que tô longe de ser uma bacteria freak!

O problema é que eu sou molengona com essas coisas. Tenho medo de ofender o agressor. Mas é minha filha, né, entāo eu fico nesse conflito interno de dizer ou nāo dizer alguma coisa, até que vou ficando vermelha e quente. Qualquer dia explodo feito um balāo (nāo somente pela minha atual forma física)!

Um desses atos me toca de forma mais doída. É a bendita mamadeira. Eu nāo me importo em dividir as mamadas, até gosto as vezes, porque me dá uma folguinha. Mas espere eu perguntar, ou pergunte se pode né? Eu passo horas do meu dia tendo o peito sugado, lavando e montando bomba e querem me tirar o prazer de amamentar? Ninguém pergunta para uma mãe se pode segurar a cabecinha do bebê enquanto ele tá no peito. Também gosto de sentir aquele bafinho de yakult depois de mamar! Mais uma das mazelas de ser uma eping mom...
Māos sujas, cigarro, bebida alcoólica dispensam comentários, né?

E as brincadeiras mais violentas enérgicas nāo combinam com bebezinhos que ainda tem pescoço mole. Movimento "JOSELITO NĀO" já!
Poxa, gente, coraçāo de māe é pior que de paciente do Incor! Fazisso nāo!
E quando o ato criminoso é cometido por alguém da família entāo?  Aí é que o bicho pega...falar ou nāo falar? Hein?

Agora, concluo que nāo sou chata e sim coerente. Afinal de contas, a filha é minha, eu que fiz! Ha! Bló bló bló bló bló


Blogger adverte: Esse post foi escrito por uma mãe desequilibrada hormonalmente e os exemplos são meramente fictícios. Ou não.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Nunca! Isso Jamais!


NUNCA! ISSO JAMAIS!
Antes de ser mãe eu era cheia das opiniões. E achava que sabia muito sobre maternidade. Cá entre nós, todo mundo que nāo tem filho acha isso! 
Ha
Ha
Ha
Toda vez que eu via uma māe com carrinho de neném dentro de alguma loja eu pensava: “olha que folgadona! Nunca vou entrar com carrinho em lugares públicos. Se o bebê cabe no carrinho, dá para carregar no colo!” A coitada da mãe com carrinho carregando trocentas sacolas e driblando olhares feios para sua audácia.
Quando ouvia uma mãe dizendo que nem banho conseguia tomar direito e tempo para comer e se arrumar era luxo eu dizia: “o filho dela não dorme não? Deve ser um filhote de cruz credo. Até parece que não deu tempo da cascuda pentear essa juba antes de sair na rua!” Jesus, me salva!
Bebê chorando e a māe nem sabe o motivo e tampouco consegue fazer acalmar? Deve ser uma desnaturada!
E quando essas mães ficavam em casa tempo integral? Aí eu nem vou escrever o que eu dizia, porque corro risco de apanhar na rua!
Depois de uma semana que a Katarina nasceu eu fui ao shopping. Entrei nas lojas com carrinho. E olha que os carrinhos aqui são quase do tamanho de um Smart! As vezes pedi pro meu marido esperar lá fora com o carrinho e e entrei sozinha, mas eu queria o cartão a companhia dele na hora das compras.
Aqui a licença maternidade é de 52 semanas (para a imigrante aqui as coisas estāo sendo um tiquinho mais burocráticas). Eu estou em casa tempo integral. E acreditem ou nāo, as vezes a Katarina chora e eu nāo sei o por quê.
 IN YOUR FACE, MAMA!
Pintura da  dinamarquesa maria jeanty pedersen, chamado MAMADAKATA!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AMAMENTAÇÃO


AMAMENTAÇÃO
Esse foi um assunto lido por mim durante a gravidez, mas um pouco ofuscado pelo tema parto. Imaginei que não poderia ser tão difícil assim. Afinal de contas, nós mulheres fomos projetadas para amamentar nossa cria. 
Toma, tchonga!
Antes tivesse prestado mais atenção. Aqui a famigerada culpa de mãe apareceu. 
Logo depois que a  Katarina nasceu, consegui amamentar. Ainda que por poucos minutos. Algumas horas depois, já na sala de recuperação, ela ficou inquieta demais, pegava e soltava, apertava com muita força, pegava errado de novo e chorava mais ainda. Para me ajudar, a enfermeira deu um daqueles nipple shields da Medela. Katarina mamou mamou mamou e não senti dor alguma. Mas o uso daquela proteção de silicone faz com que o seio não seja estimulado como deveria, diminuindo a produção de leite. Então fui instruída a tirar leite com a bomba após cada mamada, enquanto fizesse uso da proteção.
Viemos para casa, tentei amamentar sem a proteção, mas não tinha jeito de fazer a Katarina pegar. Ela chorava de um lado, eu do outro. Ela de fome, eu de frustração.
Volta o nipple shield.
E assim fomos por mais de 1 mês. Katarina acordava de 3 em 3 horas para mamar, depois eu usava a bomba para estimular. Não queria dar LA de jeito nenhum. 
Cada mamada era um pesadelo. Dor, inchaço, choro (de nós duas),  frustração, cansaço...
Tudo o que eu queria era que o peito fosse transparente e com as risquinhas de marcação em ml, para saber o quanto ela mamava. Achava que assim me daria maior tranquilidade. Não conseguia tirar muito com a bomba...uns 50 ml por sessão. 
A midwife/consultora de lactancia veio para o primeiro acompanhamento em casa (uma vez por semana no primeiro mês, depois as visitas são mais espaçadas) e viu que Katarina crescia muito bem. Pouquíssimas vezes fiz o uso da fórmula. Só quando necessário mesmo eu complementava. 
4.600 kg e 55 cm. Ela crescia muito bem com meu leite! 
No dia 27 de dezembro minha mãe voltou ao Brasil e no dia 02 de janeiro meu marido voltou a trabalhar. Então era eu e Katarina em casa. 
Minha filha tem um timing incrível, então parou de acordar de madrugada. Mamava de 3 em 3 horas das 7 da manhã até as 23 horas. Dormindo a noite TODA-A! (não vou me gabar muito, tenho medo de gorar essa maravilha). Nem fui eu que impus essa rotina, Katarina que deve ter me ouvido ler Tracy e resolveu obedecer. Por  mim seria chorou, mamou. Mas estar sozinha com ela em casa significava ficar com ela uma hora pendurada no peito, chorando, mamando um pouco, chorando mais e me deixando 10 anos mais velha a cada mamada. Depois colocar para arrotar, trocar a fralda e fazer dormir, para então eu poder tirar leite. Como não sabia que ia ter que fazer tanto uso da bomba, comprei uma elétrica da Philips Avent, mas single. Isso quer dizer que cada sessão demorava 40 minutos. 20 de cada lado. Depois lavar e esterilizar. Quando conseguia terminar tudo, já tinha chorinho de fome de novo.
Comer, limpar a casa, tomar banho e outras coisas não urgentes tinham que esperar. O stress aumentando e o leite diminuindo.
Outra visita da midwife. Ela me sugeriu tentar 2 dias de só amamentação. Na cama! Revistas, chás, filmes, Katarina e eu. Parecia bem legal, mas tinha uma pegadinha. Era para tentar sem o nipple shield, para estimular corretamente e quem sabe diminuir o uso da bomba.
Fui para a cama, sofá, cadeira de balanço,  pro chão, em pé, parada, andando, dançando, saltitando, girando, com musiquinha, sem musiquinha e nada. Eu tinha quebrado a menina! Só pegava com o protetor!
Eu estava tão cansada, nervosa, brava, triste que achei que fosse desistir. Mas eu queria muito amamentar. Odiava quando tinha que  usar LA.
Resolvi usar a bomba a cada 3 horas e dar esse leite na mamadeira. 
Ela mamou bem, não chorou, eu não chorei. Foi um dia bonito. 
Mas e o vínculo? Não é só do leite que ele precisam, é o contato com a mãe. 
Fiquei me sentindo culpada. Mãe incompleta.
Tirar leite me fazia uma mãe pior?
Acho que não.
Então eu comecei a relaxar, o leite começou a aumentar, os choros a diminuir (da Katarina) e procurei mais informações sobre expressar leite. 
Achei muitas māes que fazem o chamado EXCLUSIVE PUMPING, ou seja, nós que retiramos o leite com  a bomba e usamos a mamadeira. Eping moms! Mas ainda nāo tem muita coisa na internet nem em livros. Normalmente uma capitulinho ou um artigo sem vergonha por aí.
É bem chato ser uma eping mom.  A gente não faz parte do clubinho das mães que dão peito nem das mães que usam fórmula. Se perguntam se eu amamento eu digo sim, mas com a mamadeira na mão é mais complicado explicar. Como eu li em algum lugar: “yes I breastfeed, but my baby is getting it to go!”. Sim, amamento, mas o leitinho dela é para viagem. Além das perguntas idiotas do tipo :
-Ai, por que você nāo DEIXA ela mamar no peito?
Te juro que não é porque gosto de acariciar a cabeça da bomba.
Quase morro quando ouço isso. Claro que seria mais fácil se ela mamasse no peito! Nada de ficar controlando no relógio quando vai ser a próxima sessão, nada de bomba para lavar, esterilizar e montar, levar a bendita para passeios mais longos que 3 horas (nem sempre sou tão disciplinada), enfim, mas ainda acredito que valha a pena o esforço. 
A minha sorte é que amamentação é suuuuper valorizada aqui na Dinamarca. No norte da Europa em geral. Li que na Noruega é onde as mães amamentam por mais tempo. A recomendação aqui é aleitamento materno exclusivo até no MÍNIMO o sexto mês. 98% das mães saem do hospital amamentando e continuam até pelo menos o quarto mês.
O que as mães que amamentam precisam é de apoio. Não ajuda em nada ouvir o tempo todo que com o uso da bomba o leite vai secar, ou vai dar mastite, ou que simplesmente não vamos aguentar o tranco. A Helle, consultora de lactancia que me acompanha disse que se eu conseguir os 6 meses serei a primeira que ela já acompanhou, mas que tem uma espanhola fazendo a mesma coisa. Deve ser a fibra latina! Ela me dá muito apoio, acha até que consigo continuar por mais tempo, mesmo depois da introdução dos sólidos. É difícil mas não é impossível.
Algumas coisas têm me ajudado nessa jornada:
  1. Apoio do meu marido. Quando ele está em casa, ele fica responsável por dar mamadeira, trocar fralda e atender aos chorinhos da Katarina.
  2. Comprei outra bomba. Assim posso extrair leite dos dois lados ao mesmo tempo, cortando o tempo de extração pela metade.
  3. Um soutien da Simple WIshes, para “bombar” hands free! É meio esquisito, mas vale a pena.
  4. A técnica da geladeira. Só enxaguar a bomba depois de usar e deixar na geladeira até a próxima extração. Lavo vez sim outra não.
Ainda que eu sinta a produção de leite mais estável, vivo achando que posso aumentar a quantidade. Tenho feito tudo que li por aí. 
-Canjica
-Chá da mamãe da Weleda, ou outro chá de amamentação, porque normalmente contém as mesmas ervas.
-Água de cevada. Não é disfarce para cerveja, minha gente! Compro as pérolas de cevada e deixo de molho na água durante uma noite. 
-Muita água. Mas nem tanta. Água demais pode acabar com sua produção. Aquela média de 6 a 8 copos por dia.
-Comprimido de cálcio com magnésio, para facilitar a absorção. Especialmente se já tiver menstruado!
Até hoje não tive maiores problemas. Espero continuar assim. Claro que nos dias de maior stress o leite diminui mesmo. Noto a diferença no final de semana, pelo menos 30% a mais de leite por sessão, porque meu marido está em casa e posso tirar leite quando quiser sem me preocupar com outras coisas.
Ah, naqueles dias que não consigo tirar pelo menos 5 vezes, faço o power pumping. Durante uma hora, tiro leite em intervalos de 10 minutos. É legal fazer isso uma vez por dia durante uma semana, ou várias vezes no dia por uns 2 dias. Não tiro leite durante a madrugada, porque se estiver muito cansada a produção cai. Prefiro tirar 5 vezes ao dia, normalmente a última sessão fica lá pelas 23h, meia noite.
 preparada para mamar!
 gênio segurando a mamadeira sozinha
 crescendo muuuuuito
desmaiada depois de mamar meu whisky com leite

VACINAÇÃO

VACINAÇÃO



Ontem a Katarina tomou suas primeiras vacinas!

Achei que fosse ser mais duro, mas ela nem tchum. Deu um resmunguinho na segunda picada e depois foi  tagarela comprar umas calças. Desconfio que ela cresça como o bebê jupiteriano do Chapolin.

Nas fotos: Toda feliz sem saber o que ia tomar vacina, depois se achando com a minha bolsa no consultório e por último, sua melhor cara de "você poderia ter me avisado..."

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012



SOBRE PRÉ-NATAL E PARTO NA DINAMARCA
Aqui na Dinamarca o sistema de saúde e acompanhamento das gestantes é diferente do Brasil. Na verdade nem sei muito como é o sistema brasileiro, mas vou explicar mais ou menos como funcionou comigo aqui.
Assim que tudo confirmado sobre minha gravidez, meu marido ligou na minha médica (aqui todo mundo tem um médico geral designado de acordo com seu endereço) e marcou uma consulta. A primeira coisa que a secretária perguntou quando meu marido disse que eu estava grávida foi: 
-“Ahn...isso é bom ou ruim?”
-Muito bom!
O motivo que fez a menina perguntar se era bom ou ruim, era para ter uma abordagem específica durante a consulta. Ou seja, vamos falar sobre pré-natal ou aborto? 
Aqui o aborto é legal até certo estágio da gestação.

Na consulta ela me deu duas opções de hospital para fazer os exames e parto. Um deles era o Rigshospitalet, o outro nem me lembro. Quando ela disse Rigshospitalet eu já tinha decidido. Era lá. Esse é o maior hospital da Dinamarca, o mais conhecido por sua qualidade e ui ui ui, essas coisas aí. Maaaaaaaas, na minha cabeça só tinha uma coisa: Lars Von Trier. Sim, o polêmico diretor de cinema dinamarquês! Foi nesse hospital que foi gravado o seriado RIGET, ou em inglês, THE KINGDOM.

'
Super fundamentada minha decisão, né?

Assim, ela me deu um calendário e mais uns papéis, que eu tinha que levar a cada consulta com ela, exames no hospital e acompanhamento com a midwife.

A midwife. Annete. Uma senhora fofinha e bem humorada! 

As consultas com ela eram muito legais. Eu e meu marido íamos lá com a cabeça cheia de perguntas e voltávamos aliviados. Era num prédio perto do hospital, mas lá só tinha midwives e um hotelzinho para mães, pais e rebentinhos que quisessem ou precisassem de uma ajudinha extra depois de deixar o hospital. Tudo do governo, viu, minha gente!

Lá ela media minha barriga, ouvia o coração com aquela cornetinha de madeira e depois com doppler, respondia minhas perguntas, ria com jeitinho engraçado das perguntas cabeludas do meu marido (sempre envolvendo cocô). Ela também marcava meus exames no hospital.

No meu primeiro scanning tudo foi muito lindo! Feijāozinho crescendo e beleza. Segundo scanning nem tanto...um probleminha. Minha placenta estava muito baixa e, se continuasse assim eu nāo poderia ter parto normal. Mas as técnicas me disseram que era muito difícil a placenta nāo subir. Em 30 anos trabalhando no hospital ela nunca tinha visto uma placenta desobediente. Terceiro scanning. A placenta ainda nāo subiu, melhor falar um pouco mais sobre cesárea. Até aqui, eu tinha uma idéia romântica do parto normal. Achava o máximo essa coisa de vínculo mãe-bebê. Mas também tinha muito medo da bunda explodindo e saindo aquela cabeça enoooooorme, o rasgo ou episiotomia, incontinência urinária e outros regalos do parto normal (eu sei que nem tudo isso acontece com todas as mulheres, exceto a cabeça saindo!). Então comecei a fazer amizade com a cesárea. Eu nasci de cesárea. Minha irmã também. Minha mãe só teve essas duas experiências (como muuuuuitas brasileiras), então ela me deixou tranquilinha. Eis que eu me acostumo com a idéia da cesárea. Acho prático e tals. Quarto scanning. A placenta subiu! 38 semanas e ela subiu! Agora, me olha a técnica com um largo sorriso:
-Então vai poder ser parto normal!
Arregalei meus já descomunalmente grandes olhos, engoli seco e dei um sorrisinho amarelo.
Vim para casa já enfiando na minha cabeça da maravilha que é o parto normal, no maior  Pollyana style.

Aqui, parto normal é regra, cesárea só em último caso MESMO. Tanto que o acompanhamento é feito pela midwife e o parto também, no caso do normal, claro. Médico, só se houver complicação.

Ai, olha eu querendo guardar para outro post o sexo do bebê! To falando que cérebro de mamãe não ajuda! Dããããã! Já falei faz tempo (tipo ontem) que sou mãe da Katarina! E nem acho que esse nome seria legal para menino, portanto, tcham tcham tcham tcham:::::::::É MENINA! Descobri isso no segundo scanning.


A data prevista para o nascimento da Katarina era 24 de novembro.

Minha mãe querida veio diretamente de Jacareí, a 75 km de São Paulo, no dia 27 de novembro, afinal de contas, melhor que chegasse quando eu já estivesse em casa com filhotinha para ela me ajudar.

Chega mamãe, mas não chega filhinha. 

Então mais acompanhamento com a midwife, que já achava graça eu estar na 41a semana e nada de neném, marcou uma consulta no hospital, para tentarem estourar minha bolsa quando eu entrasse na 41a semana. 

Vamos toda a família buscapé (marido e mami) para o hospital. A consulta era as 19 horas. A enfermeira tentou estourar minha bolsa mas não conseguiu. Então me deu comprimidos de hormônio para induzir o trabalho de parto. Tomei os benditos, tive dores a noite toda, mas nada da bolsa estourar. Na manhã seguinte voltamos ao hospital e me colocam o Foley, aquele balãozinho, para abrir meu cervix. Volta o cão arrependido, com suas orelhas...mais dores plus incômodo do balāo. Nada da bolsa estourar. De novo, pela manhā hospital e dessa vez a midwife consegue estourar minha bolsa com aquele agulhāo de plástico! Me mandou dar uma voltinha pelo hospital mesmo, para a água sair e voltar em uma hora, já para sala de parto. VIVA!!! Vou eu linda e maravilhosa de fralda e tudo, acompanhada pelos meus fiéis escudeiros, mama e marido (o nome do meu marido é Linus, caso eu me refira a ele por nome em algum outro lugar) para a cafeteria do hospital tomar um chazinho. Ao meio dia fui para a sala de parto.

Lá me deram umas roupinhas super fashion (bermudāo(?), camiseta polo(?) e meia de jogador de futebol, além da querida calcinha descartável de telinha e fralda).

Entra Pernille, essa midwife querida que estourou minha bolsa. Teve que me aplicar ocitocina sintética. Dores dores dores, lavagem, nada. Acabou o turno da Pernille. Entra outra midwife. Técnicas mexicanas (me enrolar no lençol e ficar me sacodindo), mais ocitocina, cochilo de 1 minuto entre as contrações, eis que ela constata que durante a contraçāo tenho dilataçāo de 8 cm! Mas a Katarina realmente nāo quer sair da minha barriga, porque tem medo de apanhar. Eu ameacei algumas vezes, por conta dos mais de 20 kg que ELA* me fez ganhar, e ficava subindo logo depois da contraçāo. E doeu doeu doeu, até que pedi anestesia. Uma interfonadinha e ele chegou! Claro que disse que nem ia doer, nāo poderia ser pior que todas aquelas tatuagens que tenho nas costas. Mas doeu sim. Bastante. Acabou o turno dessa midwife. Entra uma garotinha, tipo de 20 anos. Ao ver minha cara de choQUEAda (como diz meu marido sueco! nhóim!) ela me diz que é aprendiz, que vai ser acompanhada por uma midwife experiente. Todos sorriem de alívio. Ah é, TODOS porque além do meu marido minha māe também entrou na dança de me ver parindo. As mocinhas sāo uns amores, super me incentivando e elogiando minha performance de parir. Juro que nāo sabia que era tāo talentosa! Empurra empurra empurra, tenta a cadeira de parir, volta para a cama, empurra empurra empurra. Entra midwife chefe:
-As meninas estāo se gabando de você pelo hospital! Como vc faz tudo direitinho.

Eu estava na cama na posiçāo frango assado e nāo tinha mais nada na minha agenda naquele dia, entāo resolvi focar no nascimento da minha filha.

-Mas os batimentos da sua filha estāo baixando muito durante as contraçōes. Se continuar assim, teremos que usar o vacuum extractor (não é Tabajara) ou cesárea.

-O que? Cesárea???

Quase morri e voltei. Então decidi ser a parturiente mais aplicada do mundo. Não sei se fez diferença ou não, mas o medo de ter que passar por uma cesárea depois de todo o meu esforço fez meu cansaço diminuir. Muito empurra, incentivo, gás hilariante, e coraçãozinho batendo mais devagar. De repente tem mais 4, além das duas midwives, na sala. Sei que apertei a mão de todos, mas não consigo me lembrar direito. Uma anestesia local, uma mulher com um troço gigante na mão, minha mãe saindo da sala de fininho, a midwife falando que saiu a cabeça! Um alívio! Saiu o neném! Alívio maior ainda! Chorinho, entra minha mãe de fininho na sala, 3 minutos depois tenho Katarina nos braços! Para mim esses 3 minutos foram uma eternidade e muito rápido. Não sei explicar. Esse gap antre saiu de mim, veio para meus braços é inexplicável. Ela está ótima! Eu estou ótima também! Não sinto nenhuma dor, não ouço nada, não vejo ninguém além dela. 

Me projetei para a cama do lado (não me lembro de ter levantado) e amamentei. Assim, minutos depois que ela nasceu. Ganhamos bolo, suco e bandeirinhas dinamarquesas. 

Tirou 9 no APGAR, nasceu as 2:19 da manhã do dia 08 de dezembro de 2011, com 53 cm e 4.222 kg. Minha minha minha!

Não saiu de perto de mim desde quando saiu de dentro de mim. Só para fazer os primeiros exames, ali mesmo, do lado da minha cama. Depois fomos para o quarto de recuperação, porque usaram o vacuum cup tivemos que ficar em observação por 3 dias. Fui para o quarto de cadeira de rodas com Katarina no colo. 

Depois de alguns minutos vieram medir minha pressão e esses outros procedimentos chatinhos. Katarina sempre na cama comigo ou no bercinho, colado na minha cama. Meu marido dormindo na cadeira do meu lado. As enfermeiras, midwives e consultoras de lactancia vinham me ver o tempo todo e me ajudar. Principalmente com a amamentação. Mas isso fica para outro post. Hora de dormir, amanhã é dia das primeiras vacinas da Katarina. Aiaiaiaiaiaiai!





*chocolates, sorvetes, pizzas  e por aí vai